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quinta-feira, 24 de outubro de 2013

     Podemos trocar a palavra "budismo" por qualquer outra religião que o significado é o mesmo. Grande Dalai Lama, sempre sábio


quarta-feira, 21 de março de 2012

    Você acredita que carrega malas alheias? Vamos fazer um exercício?
    Como você reage quando seu filho não quer fazer a lição? Ou quando alguém não consegue arrumar a própria mala para a viagem de férias, perde a hora do trabalho com frequência, gasta mais do que ganha… e muitas coisinhas mais que vão fazendo você correr em desvario para tapar buracos que não criou e evitar problemas que não afetam sua vida diretamente?
    Não afetam a sua vida, mas afetam a vida de pessoas queridas, então, você sai correndo e pega todas as malas que estão jogadas pelo caminho e as coloca no lombo (lombo aqui cai muito bem, fale a verdade) e a sua mala, que é a única que você tem a obrigação de carregar, fica lá, num canto qualquer da estação.
    Repetindo, a sua mala, que é a única que você tem obrigação de carregar, fica lá jogada na estação!
   Temos uma jornada e um propósito aqui neste planeta e quando perdemos o foco, passamos a executar os propósitos alheios. A estrada é longa e o caminho muitas vezes nos esgota, pois o peso da carga que nós nos atribuímos não é proporcional à nossa capacidade, à nossa resistência e o esgotamento aparece de repente.
    Esse é o primeiro toque que a vida nos dá, pois, quando o investimento não é proporcional ao retorno, ou seja, quando damos muito mais do que recebemos na vida, nos relacionamentos humanos ou profissionais, é porque certamente estamos carregando pesos desnecessários e inúteis.
    Quando olhamos para um novo dia como se ele fosse mais um objetivo a cumprir, chegou a hora de parar para rever o que estamos fazendo com o nosso precioso tempo. O peso e o cansaço nos tornam insensíveis à beleza da vida e acabamos racionalizando o que deveria ser sacralizado. É o peso da mala que nos deixa assim empedernido. Quanto ela pesa?
     Quanto sofrimento carregamos inutilmente, mágoa, preocupação, controle, ansiedade, excesso de zelo, tudo o que exaure a nossa energia vital. E o medo, o que ele faz com a gente e quanta coisa ele cria que muitas vezes só existe dentro da nossa cabeça?
     Sabe que às vezes temos tanto medo de olhar para a própria vida que preferimos tomar conta da vida dos filhos, do marido, do pai, da mãe… e a nossa mala fica na estação… O momento é esse, vamos identificar essa bagagem: ela é sua? Ótimo, então é hora de começar uma grande limpeza para jogar fora o lixo que não interessa e caminhar mais leve. Agora, se o excesso de peso que você carrega vem de cargas alheias, chegou a hora de corajosamente devolvê-las aos interessados.
    Não se intimide, tampouco fique com a consciência pesada por achar que a pessoa vai sucumbir ao fardo excessivo. Ao contrário, nesse momento você estará dando a ela a oportunidade de aprender a carregar a própria mala.
    A vida assim compartilhada fica muito mais suave, pois os relacionamentos com bases mais justas e equânimes acabam se tornando mais amorosos, sem cobranças e a liberdade abre um grande espaço para a cumplicidade e o afeto.
    Onde está a sua mala?

terça-feira, 20 de março de 2012

    (...) João caminhara no vazio, num incrível e indômito vazio de si mesmo. Por anos a fio vivera e - e em grande partes das horas - ainda vivia povoado da solidão construída pelo orgulho, pela arrogância, pela ganância e estranhos comportamentos.

    Somos criaturas dotadas de força atrativa e é preciso ver que tudo e todos que compõem nosso cotidiano  são movidos por essa mesma lei. João, por sua conduta, atraiu a solidão, fruto direto do isolamento. Julgava-se tão altivo e tão superior que nada nem ninguém o alcançava ou eram dignos de sua pessoa. Sua crença tornou-se sua realidade, ele a construiu com todo o seu ser. Somente ele poderia destruí-la. Considero que, não fosse o fato de nos julgarmos "grande coisa", evoluiríamos mais rapidamente. 
    Cremos que amar o próximo é erguer grandes obras, desconhecemos o quanto pode um pequeno gesto. Como nem todos podemos fazer "grandes obras", não fazemos nada. Extremos são perigosos. Vejo milhares de pessoas especializadas em dar, mas que pouco ou nada sabem quanto a dar-se. Doam fortunas, mas não são capazes de doar-se um minuto. Abrem talões de cheques para comprar companhias e seduzir pessoas, mas não são capazes de abrir as folhas íntimas do próprio ser e deixar que essas criaturas também preencham algumas valorizadas linhas em sua vida. É o mais brutal e ignorante egoísmo. Ele encarcera com maior ferocidade que os presídios de máxima segurança, tortura mais que todos os objetos que a mente humana concebeu para tal ato. A criatura é, ao mesmo tempo, vítima e carrasco de si mesma, papel que também exerce frente à pessoas com as quais convive. Vê-se, com facilidade, em meio a aproveitadores de toda espécie, que, à moda das sanguessugas, fartam-se com seu sangue até explodir, sem nada dar. São relações vazias, que sugam, consomem.
    Interessante que, muitas vezes, esse tipo de caráter egoísta reclama dos interesseiros, sem dar-se conta de que atraiu e alimentou essa relação. Não deu de si, não recebeu dos outros. Indivíduos como João, se vêem apenas como vítimas, não como carrascos. Não reconhecem, senão após sérias dificuldades, que são os únicos responsáveis pelo que fazem. Crêem-se bons, honestos, injustiçados e incompreendidos, não egoístas e arrogantes. Eles são como uma casa com móveis e objetos em excesso. A poluição visual não permite diferenciar o luxo do lixo. É um ambiente denso, pesado, desagradável, sufocante. O mesmo faz o egoísta que não sabe dar-se a alguém e à vida. Enche-se de bens e condutas que confundem, mas, ao final, o egoísmo exala e afasta.
    É infantilizado. Como espírito imortal viveu inúmeras existências, mas viver e amadurecer não são necessariamente sinônimos. Pressupõem-se que muitas experiências gerem maturidade. Mas, atentando ao fato de que enquanto não aprendemos nossas provas e enganos repetir-se-ão, concluímos que alguns espíritos podem permanecer indefinidamente em um determinado estágio evolutivo, experimentando muitas existências sem lograr crescimento. São existências repetitivas, mudam os cenários, os atores, mas as circunstâncias e o enredo acabam sendo idênticos.
    Na lei ensinada por Jesus "ama a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo", está traçada a evolução do sentimento do amor. Obviamente, ele começa no aprendizado e no amadurecimento do amor-próprio. Esse percurso inicial lança raízes no egoísmo exatamente igual ao processo de maturação afetiva da criança, mas deverá alcançar a auto estima para tornar-se um adulto saudável. O egoísta de que falo não se estima, é pretensioso. Precisa crescer e abrir-se, participar de um mundo de trocas afetivas, dar e receber, eis o segundo passo - o amor ao próximo. Desse patamar alcançamos o seguinte: desapego às "coisas". É sabido que o sentimento de posse manifesta-se no uso do "meu", e assim nos referimos também às pessoas, como se fossemos seus donos e legítimos possuidores. Possuímos e somos possuídos. Construir a liberdade é transcender, libertando-se de um séquito de ilusões materiais. 
    Nesse nível poderemos pretender alçar vôo rumo à libertação plena desse sentimento possessivo e manifestar um amor pleno que é o amor a Deus, o reconhecimento e a vivência integral Dele como fonte da vida, de tudo e de todos. Parte desse caminho percorremos na Terra, a cada momento de nossa existência imortal, não importando se dentro ou fora dos limites da matéria. Para aprendermos não há hora marcada, é tarefa diuturna."
   Trecho retirado do livro A MORTE É UMA FARSA - Ana Cristina Vargas

domingo, 29 de janeiro de 2012

VIDA APÓS O NASCIMENTO

    No ventre de uma mulher grávida estavam dois bebês. O primeiro pergunta ao irmão gêmeo :
   - Você acredita na vida após o nascimento?
   - Certamente. Algo tem de haver após o nascimento. Talvez estejamos aqui principalmente porque nós precisamos nos preparar para o que seremos mais tarde.
   - Bobagem, não há vida após o nascimento. Como verdadeiramente seria essa vida?
   - Eu não sei exatamente, mas certamente haverá mais luz do que aqui. Talvez caminhemos com nossos próprios pés e comeremos com a boca.
   - Isso é um absurdo! Caminhar é impossível. E comer com a boca? É totalmente ridículo! O cordão umbilical nos alimenta. Eu digo somente uma coisa: A vida após o nascimento está excluída – o cordão umbilical é muito curto.
   - Na verdade, certamente há algo. Talvez seja apenas um pouco diferente do que estamos habituados a ter aqui.
   - Mas ninguém nunca voltou de lá, depois do nascimento. O parto apenas encerra a vida. E afinal de contas, a vida é nada mais do que a angústia prolongada na escuridão.
   - Bem, eu não sei exatamente como será depois do nascimento, mas com certeza veremos a mamãe e ela cuidará de nós.
   - Mamãe? Você acredita na mamãe? E onde ela supostamente está?
   - Onde? Em tudo à nossa volta! Nela e através dela nós vivemos. Sem ela tudo isso não existiria.
   - Eu não acredito! Eu nunca vi nenhuma mamãe, por isso é claro que não existe nenhuma.
   - Bem, mas às vezes quando estamos em silêncio, você pode ouvi-la cantando, ou sente, como ela afaga nosso mundo. Saiba, eu penso que só então a vida real nos espera e agora apenas estamos nos preparando para ela…

domingo, 25 de setembro de 2011

NÃO ESTRAGUE SEU DIA

     "A sua irritação não solucionará problema algum. As suas contrariedades não alteram a natureza das coisas.
    Os seus desapontamentos não fazem o trabalho que só o tempo conseguirá realizar. O seu mau humor não modifica a vida. A sua dor não impedirá que o Sol brilhe amanhã sobre os bons e os maus.
    A sua tristeza não iluminará os caminhos. O seu desânimo não edificará a ninguém. 
    As suas lágrimas não substituem o suor que você deve verter em benefício da sua própria felicidade. As suas reclamações, ainda mesmo afetivas, jamais acrescentarão nos outros um só grama de simpatia por você.
    Não estrague o seu dia. Aprenda, com a Sabedoria Divina, a desculpar infinitivamente, construindo e reconstruindo sempre para o Infinito Bem."
     André Luiz (psicografia de Chico Xavier no livro: AGENDA CRISTÃ)

domingo, 4 de setembro de 2011

Mensagem do Comandante Pherteenn, de Órion

   Saudações Estelares do Logos Galáctico! Aqui é o Comandante Pherteenn, de Órion.
   Amados Irmãos Estelares, é com alegria que consolidamos as alianças necessárias para o restabelecimento da Ordem das freqüências em ascensão neste Planeta.
   Como já lhes dissemos em outras ocasiões, através de outros Comandantes, a escolha da luz cabe a cada um dos Irmãos, não há imposição, mas cada um deve escutar o que dizem seus corações e com ele procurarem se equilibrar.
   Os Irmãos na Terra com papéis definidos perante as Hierarquias que coordenam o processo de remoção dos seres que vibram contrariamente à Consciência Crística, estão sendo removidos um a um, e o Comando Ashtar Sheran está na administração do procedimento.
   Como sabem inúmeras naves estelares, provenientes de universos distintos encontram-se alinhadas à freqüência e aos Portais terrestres, para efetivamente, contribuírem na realização e conclusão das ações que levarão a uma elevação efetiva de toda a Galáxia. A interdimensionalidade dos Irmãos que possuem papéis específicos nesse processo é o que os coloca em condições de acertarem nas decisões e ações terrenas que promovem o encaminhamento de milhares de almas que “desconectadas” de sua matriz alocada em outro logus da Criação, por razões de elevação micro e macrocósmica, devem procurar se alinhar.
   No momento há um contingente de naves posicionadas nas regiões onde há uma densidade mais evidente de conglomerados de almas que já não mais vibram com a freqüência instrutiva que o Planeta Terra proporciona aos que aqui fazem sua parada evolutiva. Os hologramas coletivos atraem pela Lei da Atraçãos os Irmãos que se comprometeram individualmente com este processo ascensional tanto na esfera micro como macrocósmica, pois como sabem, a parte está no todo, assim como o todo contem muitas partes.
   Amados Irmãos, nada temam, aceitem o que seus corações sentirem ressoarem, pois a Ordem de Mãe Maria e suas naves misericordiosas possuem o papel primordial de realizarem a triagem dos que ainda estão escolhendo qual caminho seguir.
   A separação do joio e do trigo não é uma tarefa do Cosmos, e sim do Livre Arbítrio de cada um, e vocês poderão sentir quando este momento estiver diante de vocês, para só então, passarem às fileiras do joio ou as do trigo.
   Não há nesse contexto o certo e o errado, há sim, possibilidades de se trilhar caminhos distintos, pois ninguém deixará de evoluir, seja qual for a escolha que fizerem. Melhor esclarecendo, os que se enfileirarem com o joio, entendam isto como àqueles que ainda vibram contrariamente às energias Crísticas Búdicas que prevalecerão na Nova Terra, serão encaminhados para outro logus da Criação e iniciarão novas jornadas, rumo à ascensão inevitável de qualquer consciência cósmica, afinal, há muitas moradas!
   As escolhas estão lançadas, as oportunidades vão surgindo pouco a pouco, e no ritmo individual sentirão o que deverão fazer, e isso, meus caros Irmãos, são apenas escolhas, que poderão colocá-los de um lado ou de lado.
A sua presença neste Planeta resultou de uma escolha num momento cósmico de sua consciência evolutiva, e também amanhã quando estiverem vivenciando as escolhas que farão nesse momento, saberão que somente quando outros Portais voltarem a ser ativados, poderá fazer novas escolhas, não há pressa, há apenas oportunidades de aprendizados.
   Digo-lhes isto, pois não precisamos criar expectativas contrárias aos desejos que possuem, ao contrário, nosso papel é, entre outros, conscientizá-los do que implica sua escolha nesse momento de Transição Planetária, e por qual motivo, estamos todos alinhados às mudanças que o Criador proporciona a todas as formas de vida.
   Os Portais se encontram ativos, muitos já sentiram o chamado, muitos sabem que a coincidência dos horários 11:11, 12:12 e 13:13, representa algo importante em sua jornada, cabe á nós orientá-los do que isto significa na eternidade evolutiva de vossas consciências manifestadas no plano terrestre.
   Desejamos que façam um bom uso do conhecimento cósmico planetário disponibilizado a vocês através de inúmeros canais que se manifestam nesse momento no Planeta Terra.
  Conheçam, sintam, escolham o que melhor lhes aprouver. Estamos com vocês, Irmãos do Planeta Terra, a Hierarquia Cósmica delegou-nos o papel de amparadores dos que vão efetivamente ascender individualmente e ocuparem novos papéis em outras paradas cósmicas, pois assim é a vontade do Pai, assim é a Lei Imutável da Evolução.
   E mesmo que optem em manterem-se silentes quanto às opções que lhes chegam, sabemos que tudo está alinhado a um propósito individual que o coração de vocês conhece e seguem. A família cósmica nesse momento se confraterniza com todos os Irmãos que se preparam para o salto quântico!
   Comando Estelar de Órion, alinhado com o Comando Alpha Ômega, Comando Ashtar Sheran e Conselho do Cinturão Eletromagnético.
     Comandante Pherteenn (http://vozdaeradeouro.blogspot.com)

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Quando minhas provações se tornam muito grandes,
busco a compreensão, primeiro, em mim mesmo.
Não ponho a culpa nas circunstâncias, nem tento
corrigir os demais.
Primeiro eu me interiorizo.
Tento limpar a cidadela do espírito para remover
tudo o que obstrua a toda-poderosa e plenamente
sábia expressão da alma.
Esse é o modo de viver que produz o êxito.
Doenças e dificuldades nos trazem uma lição.
Nossas experiências dolorosas não foram feitas
para nos destruir, mas para incinerar nossas
impurezas e nos apressar, na nossa volta ao Lar.
Ninguém está mais ansioso pela nossa libertação
do que Deus."
Yogananda

domingo, 24 de abril de 2011

A ti mesmo deves prometer...


1 - Ser tão forte que nada seja capaz de perturbar a paz de sua mente;


2 - Falar a todos quanto encontrares, de felicidade, de saúde e de prosperidade;


3 - Ser tão justo e tão entusiasta a respeito do êxito dos outros, quanto o és em relação ao teu próximo;


4 - Esquecer os erros do passado e concentrar as tuas energias nas grandes conquistas do futuro;


5 - Dar a todos os teus amigos a impressão de que possuem valor;


6 - Pensar somente no melhor, trabalhar unicamente pelo melhor e contar exclusivamente com o melhor;


7 - Ter a firme convicção de que o mundo está ao seu lado enquanto te mantiveres fiel ao que de melhor em ti existe;


8 - Antes de falar, pensa cuidadosamente se o que vais dizer é verdadeiro, bom e útil; e se carece destas três qualidades, abstem-se de o dizeres;


9 - Manter sempre um semblante alegre, oferecendo um sorriso para todas as criaturas que encontrares no teu caminho;


10 - Aplicar tanto tempo no melhoramento de ti mesmo que não te sobre um único momento para criticar os outros;


11 - Ser demasiado grande para te afligires, demasiado nobre para te irritares, demasiado forte para que te invada o temor, demasiado feliz para sentires contrariedades;


12 - Ter excelente opinião de ti mesmo e proclamar isso ao mundo, não com altissonantes palavras senão com grandes obras.

domingo, 3 de abril de 2011

JAPÃO - Monja Coen

      A monja Coen, que mora em São Paulo no Templo Busshinji, explica porque os
japoneses estão surpreendendo o mundo com seu modo de fazer face às dificuldades.

     "Quando voltei ao Brasil, depois de residir doze anos no Japão, me incumbi da difícil missão de transmitir o que mais me impressionou do povo Japonês: kokoro.
     Como educar pessoas a ter sensibilidade suficiente para sair de si mesmas, de suas necessidades pessoais e se colocar à serviço e disposição do grupo, das outras pessoas, da natureza ilimitada?
    Outra palavra é gaman: aguentar, suportar. Educação para ser capaz de suportar dificuldades e superá-las. Assim, os eventos de 11 de março, no Nordeste japonês, surpreenderam o mundo de duas maneiras. A primeira pela violência do tsunami e dos vários terremotos, bem como dos perigos de radiação das usinas nucleares de Fukushima. A segunda pela disciplina, ordem, dignidade, paciência, honra e respeito de todas as vítimas. Filas de pessoas passando baldes cheios e vazios, de uma piscina para os banheiros.
     Nos abrigos, a surpresa das repórteres norte americanas: ninguém queria tirar vantagem sobre ninguém. Compartilhavam cobertas, alimentos, dores, saudades, preocupações, massagens. Cada qual se mantinha em sua área. As crianças não faziam algazarra, não corriam e gritavam, mas se mantinham no espaço que a família havia reservado.  Kokoro ou Shin significa coração-mente-essência.
     Não furaram as filas para assistência médica – quantas pessoas necessitando de remédios perdidos – mas esperaram sua vez também para receber água, usar o telefone, receber atenção médica, alimentos, roupas e escalda pés singelos, com pouquíssima água. Compartilharam também do resfriado, da falta de água para higiene pessoal e coletiva, da fome, da tristeza, da dor, das perdas de verduras, leite, da morte. Nos supermercados lotados e esvaziados de alimentos, não houve saques. Houve a resignação da tragédia e o agradecimento pelo pouco que recebiam. Ensinamento de Buda, hoje enraizado na cultura e chamado de kansha no kokoro: coração de gratidão.
      Sumimasen é outra palavra chave. Desculpe, sinto muito, com licença. Por vezes me parecia que as pessoas pediam desculpas por viver. Desculpe causar preocupação, desculpe incomodar, desculpe precisar falar com você, ou tocar à sua porta. Desculpe pela minha dor, pelo minhas lágrimas, pela minha passagem, pela preocupação que estamos causando ao mundo. Sumimasem. Quando temos humildade e respeito pensamos nos outros, nos seus sentimentos, necessidades. Quando cuidamos da vida como um todo, somos cuidadas e respeitadas. O inverso não é verdadeiro: se pensar primeiro em mim e só cuidar de mim, perderei. Cada um de nós, cada uma de nós é o todo manifesto.
      Acompanhando as transmissões na TV e na Internet pude pressentir a atenção e cuidado com quem estaria assistindo: mostrar a realidade, sem ofender, sem estarrecer, sem causar pânico. As vítimas encontradas, vivas ou mortas eram gentilmente cobertas pelos grupos de resgate e delicadamente transportadas – quer para as tendas do exército, que serviam de hospital, quer para as ambulâncias, helicópteros, barcos, que os levariam a hospitais.
     Análise da situação por especialistas, informações incessantes a toda população pelos oficiais do governo e a noção bem estabelecida de que “somos um só povo e um só país”.
      Telefonei várias vezes aos templos por onde passei e recebi telefonemas. Diziam-me do exagero das notícias internacionais, da confiança nas soluções que seriam encontradas e todos me pediram que não cancelasse nossa viagem em Julho próximo.
     Aprendemos com essa tragédia o que Buda ensinou há dois mil e quinhentos anos: a vida é transitória, nada é seguro neste mundo, tudo pode ser destruído em um instante e reconstruído novamente. Reafirmando a Lei da Causalidade podemos perceber como tudo está interligado e que nós humanos não somos e jamais seremos capazes de salvar a Terra. O planeta tem seu próprio movimento e vida. Estamos na superfície, na casquinha mais fina. Os movimentos das placas tectônicas não tem a ver com sentimentos humanos, com divindades, vinganças ou castigos. O que podemos fazer é cuidar da pequena camada produtiva, da água, do solo e do ar que respiramos. E isso já é uma tarefa e tanto.
      Aprendemos com o povo japonês que a solidariedade leva à ordem, que a paciência leva à tranquilidade e que o sofrimento compartilhado leva à reconstrução. Esse exemplo de solidariedade, de bravura, dignidade, de humildade, de respeito aos vivos e aos mortos ficará impresso em todos que acompanharam os eventos que se seguiram a 11 de março.
      Minhas preces, meus respeitos, minha ternura e minha imensa tristeza em testemunhar tanto sofrimento e tanta dor de um povo que aprendi a amar e respeitar. Havia pessoas suas conhecidas na tragédia?, me perguntaram. E só posso dizer: todas. Todas eram e são pessoas de meu conhecimento. Com elas aprendi a orar, a ter fé, paciência, persistência. Aprendi a respeitar meus ancestrais e a linhagem de Budas. Mãos em prece (gassho),

     Monja Coen

* Monja Coen Sensei, nascida Cláudia Dias Baptista de Souza, é uma monja zen budista brasileira e é a Primaz Fundadora da Comunidade Zen Budista criada em 2001 com sede em Pacembu, São Paulo. Criada no Cristianismo, dedicou-se para estudar no Zen Center of Los Angeles em 1983, logo depois partindo para ao Japão e convertendo-se à tradição budista no Convento Zen Budista de Nagoia. Antes de ser religiosa foi repórter em diversos jornais do Brasil.
     De volta à São Paulo, em 1995, liderou atividades no Templo Busshinji tornando-se a primeira mulher e a primeira monja de descendência não-japonesa a assumir a Presidência da Federação das Seitas Budistas do Brasil por um ano. Livros publicados: Viva Zen: reflexões sobre o instante e o caminho e Sempre Zen: aprender, ensinar, ser.

segunda-feira, 21 de março de 2011

OUTONO: TEMPO DE PERDAS E GANHOS


Se prestarmos mais atenção aos detalhes da natureza, perceberemos que cada estação do ano traz mensagens e convites específicos. No entanto, muitas vezes não conseguimos enxergar esses sinais porque insistimos em achar que não somos parte integrante do meio ambiente. Cada estação do ano nos convida a novas posturas e nos oferece uma série de aprendizados para a vida. O outono, é uma época especialmente recheada de significados que podem enriquecer nossas percepções. Esse período chega logo após o verão, aquela estação de tempo quente, aberto, de plena luz e em que nossos movimentos tendem para o mundo externo. Não é à toa que para chegar a uma estação intermediária precisamos das "águas de março", uma chuvinha persistente que vai resfriando o tempo aos poucos.

O outono é uma época de transição entre os extremos de temperatura verão-inverno. Qual é a principal imagem que lhe vem à mente quando pensa em outono? É bastante provável que a maioria das pessoas responda a essa pergunta lembrando da clássica imagem das árvores perdendo suas folhas. Mas você sabe por que acontece essa perda? Se as árvores não as deixassem ir, não sobreviveriam à próxima estação. As folhas se queimariam com o frio do inverno e, assim, os ciclos de respiração da árvore se findariam bruscamente, o que resultaria no fim da vida. A natureza nos mostra mais uma vez a beleza de sua sabedoria: é preciso entrega, é preciso deixar ir o que não serve mais, para proteger o que é mais importante.
"A natureza nos mostra mais uma vez a beleza de sua sabedoria: é preciso entrega, é preciso deixar ir o que não serve mais, para proteger o que é mais importante."
O que a princípio pode parecer uma perda é na verdade um ganho: ela ganha mais tempo de vida, e chega renovada às próximas estações.
Reflita a partir disso: o que você precisa deixar ir, do que você precisa abrir mão para seguir firme para os próximos ciclos, para continuar a crescer? O outono é também estação de amadurecimento dos frutos. É o tempo de deixar ir inclusive os resultados de nossos esforços, para que novas forças possam gestar outros futuros projetos.
Durante essa época é válido observar quais elementos em você precisam ser sacrificados para que o mais sagrado para sua vida seja preservado ou resgatado. Pense na palavra sacrifício a partir de sua etimologia: é um sagrado ofício, um trabalho, uma ação que possui um caráter sagrado, para além do superficial, que transcende o banal, que tem um significado maior.

ABRA-SE AO NASCER DE UM NOVO TEMPO

No outono, é importante questionar se o medo e a dúvida estão impedindo seus ideais maiores de serem realizados. Reflita se alguns comportamentos repetitivos lhe afastam do seu real potencial criativo. Talvez seja chegado o momento de tomar consciência e assumir uma atitude de compromisso consigo, desapegando-se daquilo que não lhe serve mais, daquilo que esteja impedindo seus passos rumo às próximas estações de seu crescimento.
Não é simples, nem fácil, mas também não é impossível. Como tudo na natureza, nossos processos de mudança carecem de tempo para se instalarem. Tempo para ir amadurecendo, até que seja o momento da colheita. Passo a passo, reflita sobre os pesos desnecessários que podem estar atrasando seu caminhar, vá se desapegando e deixando ir.
Lembro agora as palavras de Tom Jobim: "São as águas de março fechando o verão, é promessa de vida no meu coração". Mesmo que as águas pareçam dar fim ao melhor da festa do verão, na verdade, elas estão nos mostrando que a vida segue e novas estações virão! Acredite: observando a natureza podemos concluir que depois da noite sempre vem o dia. Acredite que vale a pena se libertar para deixar nascer um novo tempo.

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Psicóloga, psicodramatista e aromaterapeuta. Trabalha em projetos sociais como facilitadora de grupos de mulheres e grupos de reflexão sobre o Feminino em Belo Horizonte e interior de MG e é colunista do site www.personare.com.br de onde foi extraído esta matéria