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quinta-feira, 20 de junho de 2013

O QUE A ESPIRITUALIDADE DIZ SOBRE O MOVIMENTO DE MANIFESTAÇÕES POPULARES QUE TOMA AS RUAS DO BRASIL

Benjamin Teixeira de Aguiar
em diálogo com o Espírito Eugênia-Aspásia.


   (Benjamin Teixeira de Aguiar) – Estimada mestra Eugênia, poderia tecer algum comentário a respeito das últimas ocorrências de manifestações populares, Brasil afora? É de domínio comum que as reivindicações populares são um direito democrático constituído em toda sociedade dita civilizada, nos dias de hoje, desde que a ordem e a paz públicas não sejam perturbadas, mormente fazendo alusão aqui ao proibitivo uso de violência contra pessoas ou o patrimônio comum ou privado. Noticia-se que entre 200 a 250 mil manifestantes tomaram as ruas de grandes capitais brasileiras, ontem, segunda-feira 17 de junho, sobremaneira à noite. 100 mil apenas no Rio de Janeiro. 65 mil em São Paulo. Houve eclosões de violência e vandalismo.
    Mais de 40 cidades do mundo, no exterior, também registraram manifestações de rua, com brasileiros (não residentes em território nacional) apoiando as reclamações de seus compatriotas, em nosso solo. Grandes e respeitáveis órgãos da imprensa internacional estamparam o país nas primeiras páginas, em manchetes alarmantes.
    O movimento vem num crescendo desde a semana passada. Autoridades se contradizem, sem atinar os motivos da onda de sublevações, iniciada com um protesto aparentemente desprovido de força, contra o aumento no preço do transporte público, em alguns pontos do país. As razões estampadas em cartazes, muitos improvisados na via pública, incluem de tudo – desde a corrupção generalizada até os custos com a Copa das Confederações e a Copa do Mundo do próximo ano, que deveriam, pela proposta de alguns, transformar-se em maior investimento nos setores de educação e saúde para todos. Fica evidenciada, porém, a insatisfação popular com a representatividade política nos cenários municipal, estadual e federal, com o foco de maior desgosto voltado para o Poder Legislativo. Um dia histórico, com a rampa do Congresso Nacional tomada por manifestantes, em Brasília, e a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro servindo de palco a cenas impressionantes de baderna e caos que lembravam, em seus paroxismos, de algum modo, uma praça de guerra. Nem jornalistas conseguiam aproximar-se do local. Mais de setenta policiais foram acuados dentro da Casa Legislativa da antiga capital do país, vinte deles feridos, e populares exaltados, aos gritos de guerra, lançavam paus, pedras e mesmo coquetéis molotov contra expectantes (em sua esmagadora maioria) homens fardados.
    Imagens atípicas no país. Embora a maior parte do movimento seja pacífica, políticos, jornalistas e analistas de todas as vertentes quedam-se perplexos, demonstrando estupor e incompreensão, em torno do que se passa em nossa pátria. Surpresa e confusões gerais. O protesto toma um nítido caráter apartidário e parece agregar gente de todos os segmentos da sociedade brasileira. Arriscamos delinear este quadro geral, para propiciar aos que nos leem no presente uma visão mais ampla do a que aludimos, como também para recordar tais acontecimentos àqueles que no futuro venham compulsar estas páginas. Depois desta contextualização de nossa pergunta, solicitamos-Lhe, querida Mestra, que, se julgar apropriado e justo, nos ajude a juntar as peças desse gigante quebra-cabeças, oferecendo-nos algum esclarecimento em torno do panorama enevoado em que estamos inseridos no Brasil, atualmente.

   (Espírito Eugênia-Aspásia) – Questões complexas demandam abordagem interdisciplinar; e, se são também profundas, remetem às estruturas constitutivas da psique humana. A iniciativa multidimensional de interpretação do que se passa é o que se arriscará logo fazer, nos esforços conjuntos de acadêmicos e peritos, sobremaneira com perspectivas ao gosto da cultura hodierna do domínio físico de existência: de tom econômico, político e social. Tais pontos de vista não estarão equivocados: apenas permanecerão incompletos, se não considerarem o tecido profundo da alma popular e, basicamente, da alma humana, porquanto multidões são formadas de pessoas, com seus sentimentos e idiossincrasias, suas aspirações e desejos frustrados, sejam de caráter social, econômico, cultural, psicológico, espiritual etc.
   Não se pode ignorar a força do inconsciente coletivo. As coletividades conformam estruturas psíquicas que, em alguns momentos, podem manifestar-se de modo pujante, irrompendo, por vezes com violência, de acordo com o grau de repressões sofridas no correr do tempo. É o caso do povo brasileiro, de perfil pacato e pouco belicoso, que, por isso mesmo, permitiu que tensões fossem acumuladas longamente, propiciando, por conseguinte, a conjuntura do “explodir a panela de pressão” da calma e ordem habituais. E os jovens, por serem menos atreitos a condicionamentos culturais e hipnoses sociais, menos comprometidos com carreiras profissionais, prole, reputação pessoal, além de portarem o natural calor juvenil dos hormônios e do idealismo peculiar à sua faixa etária, fazem-se excelentes condutores da insatisfação geral, canais vivos da potência psíquica represada, de dezenas de milhões de pessoas que, no momento, se sentem vítimas de injustiças seculares, no tecido da organização sociopolítico-econômica brasileira.

(BTA) – Por isso, então, o movimento ainda pode crescer?
(EEA) – Dependendo do quanto se haja extravasado ou não desse potencial suprimido e de quantos dos seus propósitos (inconscientes – permita-nos afirmar) sejam atingidos. Levantes populares e revoltas, em diversos pontos do globo atualmente, como em outras épocas, dão nota do que estamos falando. E a História revela esse caldeirão profundo da etiologia de eventos sociais, de modo mais destacado, no princípio das revoluções – como particularmente ficou configurado na famigerada Revolução Francesa.
    Por outro lado, ainda existe um elemento catalisador e integrador da mente coletiva, que muito lhe facilita a precipitação para o cenário externo dos acontecimentos históricos: a internet, sobretudo no que tange às redes sociais, que proporcionam o livre fluxo de informações, como nunca ocorreu na presença do ser humano sobre o planeta. A internet favorece, com seu alcance exponencial, que as mentes individuais se conectem umas às outras, numa espécie de massa psíquica, que funciona como um espectro colossal e indefinível que se pode entender, grosseiramente, como uma “Mente Maior” ou “Alma Nacional”. Essa realidade subjacente, com características particulares – o fenômeno psíquico sui generis das “estruturas pseudomentais”, que não são consciências humanas, espíritos eternos ou indivíduos espirituais –, confere tons pitorescos ao que se dá por detrás dos eventos mais óbvios, externos, relacionados ao movimento político de ruas no Brasil de hoje: não há propriamente coordenação definida, a liderança é difusa, pois que, em última instância, não parte de indivíduos isolados, mas deste “ente místico”, se assim podemos dizer. Algo muito próximo das ocorrências estudadas pela psicologia de massas, que, não por acaso, observa, com especial cuidado, o processo do degringolar do comportamento de conglomerados humanos para irrupções de violência, amiúde perpetrada por cidadãos que, fora de tais circunstâncias de “mergulho na multidão”, não seriam capazes de descambar para os atos de barbárie a que são “propelidos” – conforme as resistências definidas pelo grau de maturidade intelecto-moral e autodomínio de cada indivíduo.
    O processo de influências mediúnicas deletérias pode ser considerado como fator etiogênico, igualmente, na medida em que psiquismos mais sensíveis, com disposições criminógenas, nessas situações especiais do “estar na multidão”, podem sintonizar com agentes tenebrosos da dimensão extrafísica de existência, que lhes exaltam as inclinações menos sãs. Além disso, existem as personalidades que, sem precisar de induções espirituais, agem por si mesmas, movidas por tendências primitivas e perversas que lhes são inerentes, propensões estas que se mantêm relativamente ocultas, no dia a dia, por força das relações em sociedade e seus efeitos civilizatórios.

(BTA) – Você diria, então, que este movimento tem ou terá desdobramentos construtivos?
(EEA) – Sem dúvida alguma! Não só porque denota o amadurecimento da consciência político-social do povo brasileiro, mas também porque acabará provocando uma aceleração em certos vetores evolutivos, que se mostram mais refratários do que seria de se esperar, em terras brasileiras. A forma de se fazer política, no país, por exemplo, está sendo severamente contestada e deverá sofrer um impasse em algumas vertentes de seu “modus operandi”. As hipocrisias de homens e mulheres na vida pública alcançaram um nível de saturação inaceitável para milhões de jovens cabeças pensantes (muitas não tão jovens assim, no corpo físico – risos), que querem um Brasil melhor, mais justo, mais lúcido, mais feliz.
    Os jovens (em sua maioria) manifestantes estão de parabéns. Que cada vez mais utilizem as ferramentas da comunicação em rede, para fomentar o bem comum, além de expressar opiniões, sentimentos e valores de segmentos da sociedade, quanto da comunidade pátria como um todo, obviamente sem nunca descurar do empenho possível no sentido de alijar de seus trâmites democráticos as eclosões de violência e desrespeito a direitos civis constituídos. Afinal de contas, tal atitude atesta um total contrassenso: é pela melhoria do atendimento a direitos e necessidades básicos de todos que essas manifestações populares têm razão de ser e podem, assim, trazer benefícios para seus participantes, como para a comunidade inteira.

(Diálogo mediúnico entabulado em 18 de junho de 2013.)
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terça-feira, 18 de setembro de 2012

     Um dos sentimentos mais experimentados pelos seres humanos nos dias atuais é o de insatisfação. Por mais que o avanço tecnológico nos traga confortos e possibilidades de obter prazeres, aumenta na mesma proporção o número de pessoas infelizes, angustiadas e  insatisfeitas com suas vidas. Uma das principais razões é, certamente, o fato de que a sociedade em que vivemos alimenta a ilusão de que a felicidade será encontrada no acúmulo de dinheiro, bens materiais e honrarias que somente fortalecem o ego.
   Aos poucos, vamos nos dando conta de que as vitórias obtidas, só fazem surgir novos desejos, tornando-nos um poço sem fundo de necessidades não realizadas. A saída deste círculo vicioso só é possível quando nos conscientizamos de que, quanto mais tempo dedicamos aos objetivos externos, menos conhecemos a nós mesmos. E, consequentemente, menores são as chances de descobrirmos nossos reais poderes.
   A crença nos valores que nos foram impostos é o principal obstáculo para o fortalecimento de nossa auto-estima. Somente quando nos tornamos capazes de enxergar nosso valor como seres humanos,- independente das limitações que possuímos, - é que poderemos alcançar satisfação mesmo nas nossas menores conquistas.
   Valorizar aquilo que nos realiza, que faz bater mais forte nosso coração, independente do reconhecimento do mundo, é o caminho mais seguro para experimentarmos a paz e a alegria que faz a vida valer a pena.
   "Osho, por que eu vivo sentindo que alguma coisa está faltando, que eu deveria ser algo a mais?"
    É porque desde a sua infância lhe foi dito que você, em si mesmo, é intrinsecamente inútil. Do jeito que você é, não tem valor algum. O valor tem que ser obtido, o mérito tem que ser evidenciado. Desde o início de sua infância, isto lhe foi ensinado milhões de vezes.. E a melhor maneira de destruir uma criança é destruindo a sua crença em si mesma. Para destruir a crença dentro de uma criança, você tem que lhe provar que o valor não é algo dado pela natureza, mas sim que deve ser conquistado na vida. E você pode perdê-lo, a não ser que você trabalhe, seja muito ambicioso, lute com os outros... E para alcançar esse valor tem que lutar, olho por olho, dente por dente, tem que pisar na garganta do outro. Você foi condicionado a ser violento, ambicioso e cheio de desejos: para ter mais dinheiro, mais poder e mais prestígio.
   ... Por tanto tempo você permaneceu agarrado àquilo, pensando que era belo, precioso e nutritivo. Agora eu digo: 'Tudo isto é tolice! Abandone isto e simplesmente seja um Buda, a  partir deste exato momento!'
   Não é uma questão de se alcançar, é apenas uma questão de se tornar consciente. É apenas uma questão de se tornar consciente, alerta e desperto... Uma parte sua acena com a cabeça dizendo sim, pois o que está sendo dito é simplesmente a verdade da vida, embora todo o seu treinamento seja contra isto. Quando você se afasta de mim, a mente salta de novo sobre você com vingança. E naturalmente ela é poderosa. E, por ser tão poderosa, ela destrói a sua inteligência. A inteligência nada tem a ver com a mente. Inteligência tem algo a ver com o coração. É a qualidade do coração. Intelectualidade é qualidade da cabeça. O intelectual não é necessariamente uma pessoa inteligente. E uma pessoa inteligente não é necessariamente intelectual.
   ...Toda a sociedade tentou fazê-lo inconsciente de sua inteligência. A sociedade é contra a sua inteligência. Ela quer que você seja medíocre, porque somente os medíocres podem ser bons escravos. Ela quer você sem inteligência e estúpido, porque somente as pessoas estúpidas podem ser dominadas. E as pessoas estúpidas são obedientes, nunca são rebeldes. Pessoas estúpidas simplesmente vegetam. Elas nunca se esforçam para otimizar suas vidas. Elas nunca acendem as tochas de suas vidas, elas não têm intensidade. A estupidez é obediente e a obediência cria estupidez.(...)
   ....Eu estou lhe dizendo que antes de tudo você nada perdeu. Por favor, pare de tentar encontrar, pare de buscar e procurar. Você já tem! Tudo o que é preciso você já tem. Simplesmente olhe para dentro e você encontrará tesouros infinitos e inesgotáveis de alegria, amor e êxtase. Nada estará faltando se você olhar para dentro, mas se você continuar procurando do lado de fora, você se sentirá mais e mais frustrado... E toda a ironia é que... aquilo sempre esteve dentro de você, neste momento está dentro de você.
Mas não acredite em mim. Eu não estou aqui para criar crentes. Eu estou aqui para ajudá-lo a experienciar. No momento em que a verdade se torna sua experiência, ela liberta. A verdade liberta, diz Jesus - não a crença, mas a verdade.
   Mas a minha verdade não pode ser a sua verdade. A minha verdade será a sua crença. Somente a sua verdade pode ser verdadeira para você. A verdade certamente liberta, mas eu acrescento que a verdade tem que ser a sua verdade. A verdade de nenhuma outra pessoa pode libertar você. A verdade de outra pessoa se tornará apenas um aprisionamento. Nada está lhe faltando. Nada está faltando a ninguém. Pela própria natureza das coisas, nada pode estar nos faltando. Nós somos parte de Deus e ele é parte de nós. Não tem jeito, não há possibilidade de estar faltando algo... Você tem que ser justamente você mesmo e ninguém mais. Na verdade isto é o que significa natureza búdica: ser você mesmo".
    - Osho, The Book of the Books