quarta-feira, 30 de março de 2011

     Muito já foi falado em nossas aulas sobre a culpa. Após a leitura do livro Giselle, a amante do inquisidor, transcrevo um excelente trecho do livro que nos fala sobre este sentimento inútil para o nosso crescimento espiritual.

     (...) Com lágrimas nos olhos, Giselle voltou de suas reminiscências, foram dolorosas as lembranças de sua vida passada, e ela ficou imaginando o quanto gostaria de ter feito tudo de forma diferente. Conversa entre Giselle e seu pai, desencarnado:
     _ Se soubesse disso antes, não teria feito o que fiz. E agora, pai, o que farei?
     _ Se soubesse disso antes, não teria feito esforço algum. Aceite o seu destino. Foi o que você escolheu para você.
     _ Não posso mudar? Estou presa a minhas escolhas?
    _ Não. Mudamos o tempo todo. Mas é preciso que essa mudança parta do seu coração, não do seu medo. Você só quer mudar porque está com medo de sofrer e de morrer. Não quer mudar o destino porque já aprendeu aquilo que quer aprender. Sua alma não quer, porque ela sabe que você, em seu íntimo, ainda não está pronta para compreender e aceitar-se, a si mesma, como uma alma em evolução, que erra e cai, mas que não perde jamais.
    _ Está enganado, pai. É por compreender e me aceitar que não quero mais ficar aqui...
    _ O que sente agora com relação a tudo isso?
    _ Culpa, sinto-me culpada por tudo o que aconteceu.
    _ Como vê, você ainda não compreendeu e, por isso, não pôde se aceitar. Se tivesse mesmo compreendido, não se sentiria culpada. Ao contrário, perdoar-se-ia, a si mesma, sem nenhuma restrição. Mas você pode. Sua alma pesa de tanta culpa. 
    _ Se isso não é compreender, então não sei o que é. Se não compreendesse, não me sentiria culpada pelo que fiz.
    _ Não, Giselle, é o contrário. Se você compreendesse, diria a si mesma que agiu por ignorância e não precisaria sofrer para aprender. É como a criança, que cai e bate no amiguinho porque ainda não aprendeu que não deve bater em seus semelhantes. Ela é má? Não, é apenas inexperiente. Quando entender que não deve bater nas outras crianças, vai aprender, mas sem nenhuma culpa ou remorso. Simplesmente não vai bater mais, porque vai internalizar o que é certo. E não vai precisar apanhar para deixar de bater. Vê como é diferente?
    Com doloroso suspiro, Giselle abraçou-se ao pai. Ele tinha razão, ela estava morrendo de remorso pelo que fizera e achava que merecia mesmo aquele sofrimento todo. Por mais que temesse e não o quisesse, não se julgava merecedora do perdão.
    _ Ah! pai, ajude-me! O que será de mim?
  _ Em primeiro lugar, tente vencer a culpa quando desencarnar. Se não, você não vai conseguir me acompanhar e vai sintonizar com os espíritos que a rodeiam, sequiosos de vingança. Eles vão arrastá-la, e eu não terei como evitar. Não é só porque você levou uma vida de desencontros que precisa ir para as trevas. Isso, nesse momento, você já entendeu. O que lhe falta é acreditar-se merecedora de alçar a um plano de luz. Acredite nisso com fé, e ninguém conseguirá arrastá-la. 
Trecho do livro: Giselle - a amante do inquisidor (Mônica de Castro)
      

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