A revolução no sentido da busca religiosa atualmente em curso talvez seja o mais importante fenômeno da civilização contemporânea. A crise de transição entre aquilo que se convencionou chamar de Era de Peixes para a Era de Aquário.
Um dos aspectos vantajosos de qualquer crise é produzir mudanças na mente e na consciência de quem a vive. A mente do homem moderno abriu nesse sentido muitas portas, e um refrescante sopro de investigação, de desafio e de razão passa hoje através das tradições e dos ensinamentos religiosos tradicionais. Às questões fundamentais da vida - Deus existe? Qual é a relação do homem com Deus? Qual é o propósito da vida? - procura-se hoje formular respostas baseadas muito mais no foro pessoal de cada um e muito menos em ensinamentos dogmáticos, antes aceitos sem discussão.
Claro que para muitas pessoas ainda é mais fácil e mais cômodo adotar a filosofia religiosa de seus pais, seu sistema de valores, ética, moral; sua visão da natureza humana, suas respostas às questões fundamentais da vida. Como consequencia, a sua filosofia espiritual pessoal é determinada por aquela adotada e transmitida por sua família. Mas a moderna educação e a sociedade encorajam o indivíduo a questionar. Muitas pessoas hoje preferem pensar por conta própria, experimentar, avaliar, no sentido de criar uma filosofia espiritual própria. Parece irreversível a tendência atual de cada indivíduo buscar suas próprias respostas, encontrar seu próprio caminho, "jogar fora as muletas e caminhar sobre as próprias pernas".
Os modernos pensadores da religião aquariana preconizam atitudes e posturas consideradas fundamentais. tais como:
*Buscar em cada teologia os remanescentes das Verdades Originais, como foram expostos pelo "pai" daquela teologia, e conservados pelas fontes mais fiéis e respeitáveis. Assim, no cristianismo buscar os ensinamentos originais de Jesus, no islamismo, os ensinamentos de Maomé, no budismo, os de Gautama Buda.
* Examinar com censo crítico as modernas interpretações daquelas verdades elaboradas pelo sacerdócio institucionalizado, e considerar do mesmo modo crítico as interpretações feitas pelos outros e por você mesmo.
*Desafiar as imposições de qualquer teologia que pretenda impor suas interpretações da Verdade, particularmente nos casos em que tais interpretações violentem a sua consciência.
A ciência moderna nos ensina que os conceitos de "progresso" ou "desenvolvimento" dos seres vivos podem ser medidos segundo a escala de seus respectivos graus manifestados de "consciência". Assim, um animal é entendido como mais "consciente" que uma planta; um ser humano mais "consciente" do que outro ser humano.
A metafísica, ao lado das teologias ortodoxas e da ciência, é a terceira fonte alternativa para o abastecimento e a orientação do moderno buscador. O termo foi criado pelo filósofo grego Aristóteles para descrever alguns dos seus pensamentos e conceitos. Ele queria uma palavra que expressasse o conceito de ser além da lógica e da materialidade. Alguns exemplos de ideias metafísicas herdadas dos gregos e de outras filosofias da Antiguidade, e que são agora resgatadas pela religião aquariana:
* A alma é imortal
* A inspiração humana é "lembrança anímica" de encarnações precedentes
* Existe um Deus, manifestado em todas as formas da Criação. Deus, em si mesmo, não tem materialidade nem forma. É uma "presença" permanente em todos os lugares, em todas as coisas, em todos os tempos.
* O potencial do homem é perfeição na forma, na função e no ideal.
* As pessoas encontram a felicidade na realização da sua plenitude.
* Para tratar a parte é preciso tratar o todo, inclusive a alma.
* O auto domínio e a harmonia são essenciais para o desenvolvimento humano.
* É preciso eliminar os pensamentos negativos.
* É preciso estar quieto para contemplar e perceber o próprio self (Eu Superior) como parte integrante do Universo.
Sejamos buscadores de nós mesmos. Adeptos da religiosidade laica (aquela que não depende de igrejas, gurus externos ou sistemas preconcebidos de dogmas e de ideias), confiantes em nós mesmos e convencidos de que entre nós e Deus não podem nem devem existir intermediários.
Luis Pellegrini (Revista Nova Era - Editora Planeta, número 4 - 1996)
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